Tontura e vertigem
"Labirintite" virou nome genérico para tonturas de causas muito diferentes. Descobrir qual é a sua muda o tratamento.
Poucos rótulos causam tanto tratamento errado quanto "labirintite". Ele virou o nome popular de qualquer tontura, mas as causas por trás são muito diferentes entre si, e o remédio que ajuda em uma pode não fazer nada na outra. A boa notícia é que várias dessas causas têm tratamento rápido e definitivo. A vertigem posicional, por exemplo, a mais comum de todas, costuma resolver com manobras feitas ali mesmo, no consultório.
Sintomas
- Sensação de que tudo está girando
- Desequilíbrio ao andar, sensação de flutuar
- Tontura ao virar na cama ou ao olhar para cima
- Náusea e vômito durante as crises
- Zumbido ou perda auditiva junto da tontura
- Sensação de pressão dentro do ouvido
- Quedas sem explicação, principalmente em idosos
- Instabilidade visual ao movimentar a cabeça
O que causa
- Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB): cristais deslocados no labirinto
- Doença de Ménière: aumento da pressão do líquido do ouvido interno
- Neurite vestibular: inflamação do nervo do equilíbrio, geralmente pós-viral
- Labirintite propriamente dita: inflamação do labirinto, mais rara do que o nome sugere
- Alterações cervicais
- Causas cardiovasculares e queda de pressão
- Enxaqueca vestibular
- Efeito de medicamentos
Quando procurar um otorrinolaringologista
- Tontura com perda auditiva súbita
- Crises repetidas de vertigem
- Quedas, sobretudo em idosos
- Tontura que impede as atividades do dia a dia
- Tontura com dor de cabeça intensa, alteração da fala, da visão ou da força: procure pronto-socorro imediatamente
A causa mais comum tem a solução mais simples
A vertigem posicional paroxística benigna acontece quando cristais de carbonato de cálcio se deslocam dentro do labirinto e estimulam o canal errado a cada movimento de cabeça. O paciente vira na cama e o mundo gira por alguns segundos. O diagnóstico é feito por manobras específicas no consultório, e o tratamento é outra manobra, a de reposicionamento, que frequentemente resolve na mesma consulta. Muita gente toma remédio para tontura durante meses tendo exatamente isso.
Quando o ouvido também está envolvido
Se a vertigem vem acompanhada de zumbido, perda auditiva flutuante e sensação de plenitude no ouvido, o quadro sugere doença de Ménière. Nesse caso a investigação inclui audiometria seriada e eletrococleografia, e o tratamento envolve manejo clínico e ajustes de dieta e hábitos. É um cenário completamente diferente da vertigem posicional, ainda que o paciente descreva os dois como "labirintite".
Como investigamos
O exame otoneurológico completo avalia o sistema vestibular por etapas: equilíbrio, movimentos oculares, provas rotatórias, prova calórica e manobras posicionais. Ele mostra se existe alteração, de que lado e de que tipo. Junto com a audiometria e a imitanciometria, é o que permite sair do rótulo genérico e chegar ao diagnóstico.
Tratamento
- Manobras de reposicionamento na vertigem posicional, muitas vezes resolutivas em uma sessão
- Reabilitação vestibular com exercícios específicos
- Tratamento clínico da doença de Ménière
- Manejo da crise aguda na neurite vestibular, seguido de reabilitação
- Ajuste de medicações que possam estar causando a tontura
- Encaminhamento a outras especialidades quando a causa não é otológica
Exames que usamos no diagnóstico
Exame otoneurológico
Avaliação completa do labirinto e do equilíbrio. É o exame que investiga a origem da tontura e da vertigem.
Audiometria
Exame básico da audição: mede a menor intensidade que você escuta em cada frequência e o quanto compreende da fala.
Eletrococleografia
Registra o potencial elétrico gerado dentro da cóclea. É o principal exame na investigação da hidropisia endolinfática.
Imitanciometria
Avalia a mobilidade do tímpano e a pressão dentro do ouvido médio. É o exame que detecta secreção atrás do tímpano.
Perguntas frequentes
Toda tontura é labirintite?
Não. Labirintite é uma inflamação específica do labirinto e é bem menos comum do que o uso popular do termo sugere. A maioria das tonturas tem outras causas, e cada uma pede um tratamento diferente.
Preciso tomar remédio para tontura o tempo todo?
Os medicamentos supressores vestibulares servem para a fase aguda. Uso prolongado atrapalha a compensação natural do equilíbrio e pode perpetuar a tontura. O caminho é tratar a causa, não sedar o sintoma indefinidamente.
A manobra funciona mesmo na primeira vez?
Na vertigem posicional, boa parte dos casos responde já na primeira ou segunda sessão. Alguns precisam de repetição e de orientações posturais nos dias seguintes.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual presencial. Responsável técnico: Dr. Oswaldo Martucci Junior, CRM/SP 24.585.