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Condição Sono e ronco

Apneia obstrutiva do sono

A via aérea fecha repetidas vezes durante o sono, derrubando a oxigenação. Comum, subdiagnosticada e tratável.

Na apneia obstrutiva do sono, os músculos da garganta relaxam a ponto de a via aérea fechar, total ou parcialmente, dezenas ou centenas de vezes por noite. A cada episódio, a oxigenação cai e o cérebro precisa despertar brevemente para reabrir a passagem. Você não lembra desses despertares, mas eles destroem a arquitetura do sono. É por isso que se dorme oito horas e se acorda como se tivesse dormido três.

Sintomas

  • Ronco alto e habitual
  • Pausas respiratórias presenciadas por outra pessoa
  • Acordar engasgado ou com sensação de sufocamento
  • Sono não reparador, cansaço constante
  • Sonolência excessiva durante o dia
  • Dor de cabeça ao acordar
  • Boca seca pela manhã
  • Irritabilidade, dificuldade de concentração e falhas de memória
  • Acordar várias vezes para urinar
  • Queda da libido

O que causa

  • Excesso de peso e acúmulo de gordura na região do pescoço
  • Amígdalas e adenoide aumentadas, principal causa em crianças
  • Obstrução nasal crônica
  • Características da mandíbula e do posicionamento da língua
  • Palato mole alongado
  • Idade e perda de tônus muscular
  • Álcool, sedativos e tabagismo

Quando procurar um otorrinolaringologista

  • Alguém relata que você para de respirar dormindo
  • Sonolência ao dirigir ou em reuniões
  • Hipertensão de difícil controle, arritmia ou diabetes descompensado
  • Ronco alto todas as noites
  • Criança que ronca, dorme agitada, respira pela boca ou tem queda de rendimento escolar

Por que não é só um problema de sono

As quedas repetidas de oxigênio e os microdespertares ativam o sistema cardiovascular noite após noite. A apneia não tratada está associada a hipertensão de difícil controle, arritmias, maior risco cardiovascular, pior controle glicêmico, alterações de memória e atenção, e a um risco de acidente de trânsito comparável ao de dirigir alcoolizado. Tratar apneia é medicina preventiva, não conforto.

Apneia na infância tem outra cara

A criança com apneia raramente parece sonolenta: ela costuma ficar agitada, desatenta e com queda de rendimento escolar, quadro que às vezes é confundido com déficit de atenção. Outros sinais são respiração pela boca, sono inquieto com posições estranhas, suor noturno e volta do xixi na cama. A causa mais comum é o aumento de amígdalas e adenoide, com boa resposta ao tratamento.

O diagnóstico é objetivo

A polissonografia registra respiração, oxigenação, batimentos, movimentos e estágios do sono ao longo de uma noite. O resultado traz o índice de apneia e hipopneia, o número de eventos por hora, que define a gravidade e orienta todo o tratamento. Em paralelo, a nasofibroscopia identifica onde a via aérea colapsa: nariz, palato, amígdalas ou base da língua. São informações complementares e as duas são necessárias.

Tratamento

  • CPAP: o tratamento mais eficaz nos casos moderados a graves, com aparelho que mantém a via aérea aberta
  • Tratamento da obstrução nasal, que melhora sintomas e é decisivo para a adesão ao CPAP
  • Aparelho intraoral que avança a mandíbula, em casos selecionados
  • Perda de peso e terapia posicional
  • Cirurgia de palato e faringe quando há obstrução anatômica definida
  • Amigdalectomia e adenoidectomia, tratamento de escolha na infância

Não se adaptou ao CPAP? Reavalie antes de desistir

Abandonar o CPAP é comum e quase sempre tem solução: máscara inadequada, pressão mal ajustada ou, muito frequentemente, nariz entupido. Tratar a obstrução nasal costuma transformar a experiência. E quando mesmo assim não há adaptação, existem alternativas cirúrgicas. Vale reavaliar em vez de conviver com a apneia sem tratamento.

Perguntas frequentes

Como sei se tenho apneia sem fazer exame?

Não dá para saber com certeza, mas há sinais fortes: ronco alto habitual, pausas presenciadas e sonolência diurna. Se você se reconhece nos três, a chance é alta e vale fazer a polissonografia.

Vou ter que usar CPAP para sempre?

O CPAP trata enquanto é usado, mas não cura. Em muitos casos, perda de peso, tratamento nasal ou cirurgia reduzem a gravidade a ponto de mudar a conduta. Cada caso é reavaliado ao longo do tempo.

Existe cirurgia que resolve de vez?

A cirurgia reduz os eventos em pacientes bem selecionados, e o quanto reduz depende do padrão de obstrução, do peso e da gravidade inicial. Por isso o controle com polissonografia depois da cirurgia faz parte do tratamento.

Apneia tem a ver com pressão alta?

Tem associação bem documentada. Apneia não tratada é uma das causas de hipertensão resistente, e tratá-la costuma melhorar o controle pressórico.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual presencial. Responsável técnico: Dr. Oswaldo Martucci Junior, CRM/SP 24.585.

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