Perda auditiva
Nem toda perda auditiva é igual, e o tipo define se o caminho é clínico, cirúrgico ou de prótese.
Perda auditiva é uma das condições crônicas mais frequentes e uma das que mais demoram a ser tratadas: em média, as pessoas convivem anos com a queixa antes de procurar ajuda. O problema é que isolamento social, queda de desempenho no trabalho e impacto cognitivo se instalam nesse intervalo. E a primeira pergunta a responder não é "o quanto eu perdi", mas "que tipo de perda é a minha", porque disso depende todo o tratamento.
Sintomas
- Pedir para repetir com frequência
- Aumentar muito o volume da TV
- Dificuldade para entender em restaurantes e reuniões
- Sensação de que as pessoas falam baixo ou "enrolado"
- Dificuldade ao telefone
- Zumbido associado
- Cansaço mental ao fim de um dia de conversas
- Em crianças: atraso de fala, desatenção, queda de rendimento escolar
O que causa
- Presbiacusia: perda relacionada ao envelhecimento
- Exposição a ruído ocupacional ou recreativo
- Cera obstruindo o canal auditivo, causa simples e reversível
- Otite média com secreção
- Perfuração do tímpano
- Otosclerose
- Medicamentos com potencial ototóxico
- Causas genéticas e congênitas
- Infecções e trauma
Quando procurar um otorrinolaringologista
- Perda auditiva instalada de forma súbita: é urgência, procure no mesmo dia
- Audição pior de um lado só
- Perda acompanhada de zumbido ou tontura
- Saída de secreção pelo ouvido
- Criança com atraso de fala ou que não responde ao chamado
- Trabalho com exposição a ruído
Três tipos, três caminhos
A perda condutiva acontece quando o som não chega bem ao ouvido interno, seja por cera, secreção, perfuração ou otosclerose. Costuma ter tratamento clínico ou cirúrgico com bom resultado. A perda neurossensorial envolve a cóclea ou o nervo auditivo e geralmente não se reverte, mas se reabilita muito bem com prótese ou implante. A mista combina as duas. Definir o tipo é exatamente o que a audiometria com imitanciometria faz, e é o que separa um tratamento eficaz de anos de convivência desnecessária.
Surdez súbita é emergência
Perda auditiva que se instala em horas ou poucos dias, geralmente em um ouvido, é uma urgência otorrinolaringológica. O tratamento tem janela: quanto mais cedo começa, maior a chance de recuperação. Se isso acontecer com você, não espere a próxima vaga na agenda: venha ao pronto atendimento no mesmo dia.
O custo de adiar
Além do isolamento social, há evidência consistente associando perda auditiva não tratada a declínio cognitivo mais acelerado. O cérebro que deixa de receber estímulo sonoro perde eficiência no processamento da fala, e reabilitar depois de muitos anos é mais difícil do que reabilitar cedo. É um bom motivo para não empurrar a avaliação.
Tratamento
- Remoção de cera e tratamento de otite, nas causas reversíveis
- Timpanoplastia para perfuração timpânica
- Estapedotomia na otosclerose
- Prótese auditiva com seleção, adaptação e acompanhamento
- Implante coclear nas perdas severas a profundas sem benefício com prótese
- Próteses implantáveis quando a prótese convencional não é viável
Exames que usamos no diagnóstico
Audiometria
Exame básico da audição: mede a menor intensidade que você escuta em cada frequência e o quanto compreende da fala.
Imitanciometria
Avalia a mobilidade do tímpano e a pressão dentro do ouvido médio. É o exame que detecta secreção atrás do tímpano.
BERA (PEATE)
Registra a resposta elétrica do nervo auditivo ao som. Permite avaliar a audição sem depender da colaboração do paciente.
Otoemissões acústicas
Mede a resposta das células ciliadas da cóclea. É o exame usado na triagem auditiva neonatal, o teste da orelhinha.
Tratamentos disponíveis
Prótese auditiva
Seleção, ajuste e acompanhamento do aparelho auditivo, com verificação da adaptação real no dia a dia.
Timpanoplastia
Reconstrói a membrana timpânica perfurada, para fechar o ouvido e recuperar a condução do som.
Cirurgia da otosclerose
Cirurgia da otosclerose: substitui o estribo imobilizado por uma prótese que devolve a transmissão do som.
Implante coclear
Dispositivo implantado cirurgicamente que estimula o nervo auditivo em perdas severas e profundas.
Perguntas frequentes
Aparelho auditivo deixa a audição preguiçosa?
Não. É o contrário: privar o cérebro de estímulo sonoro é o que piora a compreensão ao longo do tempo. O aparelho mantém a via auditiva ativa.
Ouço, mas não entendo. O que é isso?
É uma queixa clássica e tem duas explicações possíveis: perda auditiva de frequências específicas ou alteração no processamento auditivo central. A audiometria e, se necessário, a avaliação do processamento auditivo diferenciam.
Com que idade a criança pode fazer exame de audição?
Desde o nascimento, com o teste da orelhinha. A audiometria convencional é feita a partir dos 6 anos, mas existem exames objetivos como o BERA para qualquer idade.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual presencial. Responsável técnico: Dr. Oswaldo Martucci Junior, CRM/SP 24.585.