Ronco
O barulho vem da vibração das estruturas da garganta. Pode ser só incômodo, ou o principal sinal de apneia.
O ronco é o som produzido pela vibração dos tecidos da garganta quando o ar passa por uma via aérea parcialmente estreitada durante o sono. Metade da população adulta ronca de vez em quando. O que importa não é roncar uma noite depois de uma taça de vinho, mas roncar alto e todas as noites, porque esse é o principal sinal de alerta da apneia obstrutiva do sono.
Sintomas
- Ronco alto e habitual, que incomoda quem dorme por perto
- Ronco que aumenta ao dormir de barriga para cima
- Pausas na respiração observadas por outra pessoa
- Acordar com a boca seca ou com dor de garganta
- Sono não reparador, cansaço ao acordar
- Sonolência durante o dia
- Dor de cabeça matinal
O que causa
- Obstrução nasal: rinite, desvio de septo, pólipos, adenoide
- Amígdalas aumentadas
- Palato mole e úvula alongados
- Base da língua volumosa
- Excesso de peso, com acúmulo de gordura na região cervical
- Álcool e sedativos, que relaxam a musculatura
- Dormir de barriga para cima
- Perda de tônus muscular com o avanço da idade
Quando procurar um otorrinolaringologista
- Ronco alto praticamente todas as noites
- Alguém já relatou que você para de respirar dormindo
- Sonolência durante o dia, principalmente ao volante
- Pressão alta de difícil controle
- Acordar engasgado ou com falta de ar
- Criança que ronca: em pediatria, ronco habitual nunca é normal
Ronco simples e apneia não são a mesma coisa
Existe o ronco primário, sem pausas respiratórias, que incomoda o convívio mas não traz o mesmo risco à saúde. E existe o ronco que acompanha a apneia obstrutiva, em que a via aérea fecha repetidas vezes durante a noite, derruba a oxigenação e fragmenta o sono. Pela queixa não dá para saber qual é o seu caso: só a polissonografia distingue. E a diferença muda completamente a conduta.
O nariz importa mais do que parece
Muita gente trata o ronco olhando só para a garganta. Mas o nariz entupido aumenta a resistência à passagem de ar, força a respiração bucal e piora o colapso da faringe. Além disso, obstrução nasal é a principal causa de má adaptação ao CPAP. Por isso a avaliação do ronco sempre começa examinando o nariz por dentro.
Como investigamos
A avaliação combina exame das vias aéreas por nasofibroscopia, que identifica onde exatamente ocorre o estreitamento, com a polissonografia, que mede se há apneia e qual a gravidade. Sem esses dois dados, qualquer tratamento é chute.
Tratamento
- Medidas comportamentais: perda de peso, evitar álcool à noite, terapia posicional
- Tratamento da obstrução nasal, clínico ou cirúrgico
- CPAP, quando há apneia moderada a grave
- Aparelho intraoral, em casos selecionados
- Cirurgia do palato e da faringe quando existe obstrução anatômica bem definida
- Amigdalectomia quando as amígdalas são a causa principal
Exames que usamos no diagnóstico
Tratamentos disponíveis
Cirurgia de ronco e apneia
Procedimentos que ampliam a via aérea da faringe para reduzir o ronco e os eventos de apneia.
Cirurgia de amígdalas
Remoção cirúrgica das amígdalas palatinas, indicada em amigdalites de repetição, apneia e caseum.
Septoplastia
Corrige o desvio do septo nasal para restabelecer a passagem de ar pelas duas narinas.
Perguntas frequentes
Roncar é normal?
Roncar eventualmente, não é motivo de alarme. Roncar alto e todas as noites merece investigação, porque é o sinal mais comum de apneia obstrutiva do sono, uma condição frequente, subdiagnosticada e tratável.
Existe algum spray ou fita que resolva?
Dispositivos e sprays vendidos livremente podem trazer alívio pontual, mas não tratam a causa e não corrigem apneia. Antes de gastar com solução de prateleira, vale descobrir de onde vem o seu ronco.
Emagrecer resolve?
Perder peso reduz o ronco e a gravidade da apneia de forma consistente, e é parte do tratamento sempre que há excesso de peso. Mas nem todo caso é por peso: pessoas magras também têm apneia, por características anatômicas.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual presencial. Responsável técnico: Dr. Oswaldo Martucci Junior, CRM/SP 24.585.