Sinusite
Inflamação dos seios da face, com dor, pressão e secreção. A forma crônica precisa de investigação, não de mais um antibiótico.
Sinusite é a inflamação dos seios da face, as cavidades ósseas ao redor do nariz. O nome mais correto é rinossinusite, porque o nariz quase sempre está envolvido junto. A forma aguda costuma resolver bem. Já a que volta várias vezes ao ano, ou que nunca vai embora de verdade, é outra história, e é onde o tratamento repetido com antibiótico deixa de fazer sentido.
Sintomas
- Dor ou sensação de pressão na face: ao redor dos olhos, na testa, nas maçãs do rosto
- Nariz entupido persistente
- Secreção espessa, amarelada ou esverdeada
- Secreção escorrendo para a garganta, com pigarro e tosse
- Redução ou perda do olfato
- Dor de cabeça que piora ao abaixar
- Mau hálito
- Cansaço e sensação de peso na cabeça
O que causa
- Infecção viral que evolui para bacteriana
- Rinite alérgica mal controlada, que bloqueia a drenagem
- Desvio de septo ou alterações anatômicas que obstruem os óstios
- Pólipos nasais
- Problemas dentários da arcada superior
- Fungos, em casos específicos
- Tabagismo e exposição a irritantes
Quando procurar um otorrinolaringologista
- Sintomas por mais de dez dias sem melhora
- Melhora seguida de piora importante ("dupla piora")
- Mais de três ou quatro episódios por ano
- Dor facial intensa com febre alta
- Inchaço ao redor do olho, alteração visual ou rigidez de nuca: procure atendimento imediatamente
Aguda e crônica são doenças diferentes
A sinusite aguda dura até quatro semanas e, na maioria das vezes, tem origem viral, o que significa que antibiótico não é o tratamento padrão. Já a sinusite crônica passa de doze semanas e não é uma sequência de infecções: é uma doença inflamatória persistente, com uma causa por trás que precisa ser identificada. Tratar as duas do mesmo jeito é o erro mais comum.
Por que volta sempre
Cada seio da face drena para o nariz por um orifício estreito. Quando algo bloqueia essa passagem de forma permanente (rinite não controlada, desvio de septo, pólipo, alteração anatômica) a secreção acumula e inflama de novo, ciclo após ciclo. Sem corrigir a obstrução, o antibiótico só interrompe o episódio da vez. Descobrir o que está bloqueando é o que muda o jogo.
Como investigamos
A nasofibroscopia mostra em tempo real a região onde os seios drenam, os pólipos e o estado da mucosa. Quando há suspeita de doença crônica ou possibilidade de cirurgia, a tomografia dos seios da face completa o quadro: ela revela quais cavidades estão comprometidas e serve de mapa anatômico para o cirurgião.
Tratamento
- Lavagem nasal com soro em volume adequado, várias vezes ao dia
- Corticoide nasal tópico, base do tratamento na forma crônica
- Antibiótico apenas quando há critérios de infecção bacteriana, não em todo episódio
- Controle da rinite alérgica associada
- Corticoide oral em ciclos curtos, em casos selecionados
- Cirurgia endoscópica nasossinusal quando o tratamento clínico bem conduzido não resolve
Exames que usamos no diagnóstico
Tratamentos disponíveis
Perguntas frequentes
Toda sinusite precisa de antibiótico?
Não. A maioria dos episódios agudos é viral e melhora com lavagem nasal, analgesia e tempo. O antibiótico é indicado diante de critérios específicos de duração, intensidade e padrão dos sintomas, avaliados pelo médico.
Sinusite crônica tem cura?
Tem controle consistente. A cirurgia devolve a drenagem, mas quem tem doença inflamatória de base precisa manter tratamento clínico depois. Abandonar o acompanhamento é a principal causa de recidiva.
Preciso fazer tomografia?
Não em todo episódio agudo. A tomografia é indicada na sinusite crônica, nas formas de repetição, diante de complicações e sempre que existe a possibilidade de cirurgia.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual presencial. Responsável técnico: Dr. Oswaldo Martucci Junior, CRM/SP 24.585.