Amigdalite
Inflamação das amígdalas. Quando se repete várias vezes ao ano, a conversa muda de antibiótico para cirurgia.
Amigdalite é a inflamação das amígdalas palatinas, aquelas duas estruturas visíveis no fundo da garganta. Um episódio isolado se resolve. O problema é o paciente que passa o ano inteiro entre uma crise e a próxima: dor forte, febre, antibiótico, faltas no trabalho ou na escola, e três semanas depois tudo de novo. Nesse ponto, o assunto deixa de ser qual antibiótico usar.
Sintomas
- Dor de garganta intensa, que piora ao engolir
- Febre
- Placas ou pontos esbranquiçados nas amígdalas
- Gânglios aumentados e doloridos no pescoço
- Mau hálito
- Dor de ouvido reflexa
- Voz abafada
- Cansaço e dor no corpo
O que causa
- Infecção viral, responsável pela maioria dos episódios
- Infecção bacteriana, principalmente por estreptococo
- Amigdalite caseosa: acúmulo de caseum nas criptas, sem infecção
- Refluxo laringofaríngeo, que mantém a região irritada
- Baixa umidade, poluição e tabagismo como fatores agravantes
Quando procurar um otorrinolaringologista
- Vários episódios no mesmo ano, com febre e antibiótico
- Dor de garganta forte com dificuldade para engolir saliva
- Dor concentrada em um lado só, com abertura de boca limitada: pode ser abscesso, procure no mesmo dia
- Ronco e pausas respiratórias associados a amígdalas grandes
- Mau hálito persistente com caseum
- Amígdala visivelmente maior de um lado que do outro
Quando a cirurgia entra na conversa
A indicação não sai de um número mágico, mas da frequência somada ao impacto real na vida: quantos episódios por ano, quantas faltas, quantos ciclos de antibiótico, quanto de sono perdido. Um adulto com cinco amigdalites por ano e afastamento do trabalho tem uma conta diferente da de quem tem uma por ano. Além da repetição, a cirurgia é indicada quando as amígdalas obstruem a respiração durante o sono, quando houve abscesso prévio ou quando há assimetria que precisa ser investigada.
Caseum não é infecção
As bolinhas brancas com odor forte que algumas pessoas expelem são caseum: restos celulares e bactérias acumulados nas criptas da amígdala. Não é uma infecção e não melhora com antibiótico. Causa mau hálito persistente e sensação de corpo estranho. Quando o incômodo é grande e as medidas conservadoras não resolvem, a cirurgia é uma alternativa legítima.
Amígdala grande em criança é assunto de sono
Em pediatria, o motivo mais frequente para operar não é infecção, e sim obstrução. Amígdalas e adenoide grandes fecham a via aérea durante o sono e causam apneia, com repercussão sobre crescimento, comportamento e desempenho escolar. Criança que ronca todas as noites, dorme agitada e respira pela boca merece avaliação.
Tratamento
- Analgesia e hidratação nos episódios agudos
- Antibiótico apenas quando há critérios de infecção bacteriana
- Investigação e tratamento do refluxo, quando presente
- Drenagem em caso de abscesso periamigdaliano
- Amigdalectomia nas indicações de repetição, obstrução ou caseum persistente
Exames que usamos no diagnóstico
Tratamentos disponíveis
Perguntas frequentes
Tirar a amígdala baixa a imunidade?
Não. As amígdalas participam da defesa imunológica sobretudo nos primeiros anos de vida, e o organismo tem muitos outros tecidos linfoides que assumem a função. Não há queda de imunidade documentada após a cirurgia bem indicada.
Quantas amigdalites por ano justificam operar?
Não existe um número que decida sozinho. A frequência entra na conta junto do impacto: faltas, uso de antibiótico, gravidade dos episódios e qualidade do sono. A decisão é individual.
Adulto pode operar as amígdalas?
Pode, e é frequente. A recuperação costuma ser mais desconfortável do que na criança, e por isso o preparo e a expectativa são conversados em detalhe antes.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual presencial. Responsável técnico: Dr. Oswaldo Martucci Junior, CRM/SP 24.585.