Otite
Inflamação do ouvido, com dor e às vezes secreção. A forma crônica exige acompanhamento, não só antibiótico.
Otite é a inflamação do ouvido, e o termo cobre quadros bem diferentes conforme a região afetada. A otite externa atinge o canal auditivo e é típica de quem nada ou usa hastes de algodão. A otite média acontece atrás do tímpano e é a campeã entre as crianças. E existe a forma crônica, que se arrasta por anos, dá secreção e pode lesar as estruturas do ouvido. Essa não se resolve com mais um ciclo de antibiótico.
Sintomas
- Dor de ouvido, que piora à noite
- Dor ao puxar a orelha ou ao mastigar, típica da otite externa
- Saída de secreção pelo ouvido
- Audição abafada, sensação de ouvido tapado
- Febre, principalmente em crianças
- Irritabilidade e choro em bebês, que levam a mão à orelha
- Zumbido
O que causa
- Água retida no canal auditivo, em nadadores
- Uso de hastes de algodão, que lesam a pele do canal
- Infecção de vias aéreas superiores que sobe pela tuba auditiva
- Aumento de adenoide, que bloqueia a ventilação do ouvido médio
- Rinite alérgica não controlada
- Disfunção da tuba auditiva
- Perfuração timpânica prévia
Quando procurar um otorrinolaringologista
- Dor de ouvido intensa, que vale o pronto atendimento no mesmo dia
- Secreção saindo pelo ouvido
- Febre alta associada
- Otites de repetição, várias no mesmo ano
- Queda de audição depois de uma otite
- Inchaço ou vermelhidão atrás da orelha: procure atendimento imediatamente
Otite de repetição em criança pede investigação
Três ou quatro episódios ao ano, ou secreção que não sai do ouvido médio, não é só azar. Na maioria das vezes há um fator por trás: adenoide aumentada bloqueando a ventilação do ouvido, rinite não controlada ou disfunção da tuba auditiva. Enquanto esse fator não for tratado, os episódios continuam, e a perda auditiva temporária que vem junto atrapalha o desenvolvimento da fala e o aprendizado.
Pare de usar haste de algodão
Vale a franqueza: a haste empurra a cera para dentro, compacta e machuca a pele do canal, abrindo porta para a otite externa. A cera é produzida como proteção e, na maioria das pessoas, sai sozinha. Quando obstrui, a remoção deve ser feita em consultório, com visualização adequada.
Quando vira crônica
A otite média crônica se manifesta por secreção persistente ou de repetição, muitas vezes com mau cheiro, e por queda progressiva da audição. Pode envolver perfuração timpânica ou colesteatoma, um acúmulo de pele em local indevido, que cresce e erode estruturas. Nesses casos, o tratamento é cirúrgico, e adiar tem custo.
Tratamento
- Analgesia adequada: dor de ouvido merece ser tratada, não suportada
- Antibiótico conforme critério clínico, não em todo episódio
- Tratamento tópico na otite externa, com limpeza do canal
- Controle da rinite e avaliação da adenoide nas otites de repetição
- Tubo de ventilação quando há secreção persistente no ouvido médio
- Timpanoplastia para perfuração que não fecha
- Cirurgia do ouvido crônico no colesteatoma
Exames que usamos no diagnóstico
Imitanciometria
Avalia a mobilidade do tímpano e a pressão dentro do ouvido médio. É o exame que detecta secreção atrás do tímpano.
Audiometria
Exame básico da audição: mede a menor intensidade que você escuta em cada frequência e o quanto compreende da fala.
Nasofaringolaringoscopia
Endoscopia que examina por dentro todo o nariz, a rinofaringe e a laringe em tempo real, com imagem em vídeo.
Tratamentos disponíveis
Timpanoplastia
Reconstrói a membrana timpânica perfurada, para fechar o ouvido e recuperar a condução do som.
Cirurgia do ouvido crônico
Trata a otite crônica e o colesteatoma, removendo a doença do ouvido médio e da mastoide.
Cirurgia de adenoide
Remoção da adenoide, indicada em crianças que respiram pela boca, roncam e têm otites de repetição.
Perguntas frequentes
Posso pingar óleo ou remédio caseiro no ouvido?
Não. Se houver perfuração do tímpano, substâncias podem chegar ao ouvido médio e causar dano. Qualquer gota deve ser prescrita depois do exame.
Otite sempre precisa de antibiótico?
Não. Muitos casos de otite média em crianças maiores melhoram com analgesia e observação nas primeiras 48 a 72 horas. A decisão depende da idade, da intensidade e do exame.
Meu filho pode entrar na piscina com tubo de ventilação?
Na maioria dos casos, sim, com orientações específicas. O cirurgião define conforme o tipo de tubo e o caso.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual presencial. Responsável técnico: Dr. Oswaldo Martucci Junior, CRM/SP 24.585.